sexta-feira, 6 de agosto de 2010


Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor. E já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 27 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol. Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, para todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade. Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada. Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.
E as coisas parecem perder a importância toda hora. O problema é que, para perder a importância toda hora, toda hora vivem ganhando importância, e eu estou ficando cansada.


Felicidade é ter noção da precariedade da vida,
é estar consciente de que nada é fácil,
é não se exigir de forma desumana e,
apesar (ou por causa) disso tudo,
conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.
" Não sei perder minha vida. Não sei qual a minha culpa mas, peço perdão. A luz do farol revelou-os tão rapidamente que não puderam ver. Peço perdão por não ser uma estrela, ou o mar, ou por não ser alegre. Peço perdão por não saber me dá nem a mim mesma, para me dar desse modo a minha vida se fosse preciso. Mas, peço de novo perdão, porque não sei perder minha vida. ”

(Clarice Lispector)
Ensaia um sorriso, e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol, e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente, e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima,e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem, e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida, e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança, e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade, e oferece-a a quem não sabe dar.

[ Mahatma Gandhi ]
Pra não pensar na falta, eu me encho de coisas por aí. Me encho de amigos, bares, charmes, possibilidades, livros, músicas, descobertas solitárias e momentos introspectivos andando ao Sol... E todo esse resto de coisas deixa aos poucos de ser resto e passa a ser minha vida.

Os únicos presentes que o mar te dá são golpes duros, e, às vezes, a chance de sentir-se forte. Claro, não sei muito sobre o mar, mas sei que as coisas são assim por aqui. Também sei como que é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte, para se testar ao menos uma vez, para passar ao menos uma vez pela mais antiga condição humana, enfrentando desafios sozinho, sem nada para ajudá-lo, exceto as próprias mãos e a cabeça.
E foi assim que você apareceu: tão repentinamente, na velocidade de uma estrela que viaja do oriente para o ocidente. Quando me dei conta você já estava aqui com mãos, afagos, beijos e mundos. O que fiz então foi corresponder à aquele seu olhar amendoado e decifrar o que ele queria me dizer. Para ser sincera, eu nem estava te esperando. Levava uma vida tão sossegada.Mas desde que você chegou comemoro cada pôr-do-sol. E quando anoitece e aparecem as primeiras estrelas, algo aqui dentro me move a dizer: Graças a Deus! Sim, porque as estrelas anunciam a sua chegada. E quando te encontro, no clarão da lua, o que mais quero é entregar-lhe o que guardei para você durante todo o dia: o meu melhor sorriso. E dele tenho feito estoque desde o primeiro instante em que meus passos cruzaram com os teus. Agora, algo me diz que daqui em diante será sempre assim: poesia, flores, brigadeiro, amores-perfeitos e beijos sem fim.